Mercados externos olham para a dívida de Angola com interesse

Os mercados internacionais começam a olhar para os títulos de dívida pública doméstica como um potencial destino de investimento, revela o director nacional da Unidade de Gestão da Dívida Pública (UGD), Walter Pacheco.
 
Num artigo publicado na revista anual da BODIVA, lançada ontem em Luanda, o responsável de entidade do Ministério das Finanças defende que “a liberalização do mercado cambial é uma das reformas mais importantes e corajosas que foram tomadas” e destaca que os retornos do investimento em dívida “são considerados atractivos”.
 
“A falta de liquidez doméstica é também uma oportunidade para que sejam licenciadas operações específicas para investidores não residentes”, diz o gestor, que garante que este é “um caminho que começaremos a trilhar em 2020”.
 
“Embora o ano de 2020 seja de transição, em nosso entender, a liquidez disponível em moeda nacional será o grande constrangimento para o mercado de capitais em geral e, em especial, o da dívida pública”, antecipa.
 
Neste ano, de acordo com Walter Pacheco, o objectivo é continuar a implementar “as medidas de melhoria de contexto, com o surgimento dos operadores preferenciais de títulos do Tesouro, reduziremos o stock dos títulos indexados e daremos seguimento ao processo de consolidação dos títulos disponíveis no mercado”.
 
“2020 é crítico para o nosso País”, diz Walter Pacheco, lembrando que este ano “marca o fim de ciclo de serviço da dívida alto, tendo atingido o valor médio anual de aproximadamente 20 mil milhões USD durante o período 2018 – 2020”.
 
“Perspectiva-se que, no triénio 2021-2023, o serviço médio da dívida ronde os 9 mil milhões USD, o que trará ganhos ao nível fiscal e também permitirá maior liquidez no mercado cambial”, refere, adiantando que a Estratégia de Endividamento de Médio Prazo tem como “objectivo principal garantir uma queda estrutural no peso da dívida sobre o Tesouro Nacional, bem como o fomento do mercado secundário de dívida pública”.
 
“Por esta razão, colocamos como um dos pilares da Estratégia de Endividamento de Médio Prazo o desenvolvimento do mercado secundário doméstico”, afirma o gestor, que enumera alguns dos constrangimentos que têm inibido este mercado e em relação aos quais já começaram a ser tomadas medidas, incluindo a aprovação do enquadramento regulatório dos operadores preferenciais de títulos do Tesouro.
 
Entre eles estão “o nível elevado de títulos indexados à taxa de câmbio, a predominância de instrumentos de dívida de curto prazo, a elevada pulverização de títulos em circulação e a inexistência de incentivos ao trading em mercado secundário”.

FONTE/MERCADO

 
Categoria:Nacional

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