Trabalhadores da Maboque exigem “indemnização justa”

Nessa condição estão mais de 80 trabalhadores afastados “ilegalmente”, em 2017, pela direção da empresa, que até ao momento “desrespeita” uma ordem do tribunal para indemnização justa e inserção ao Instituto Nacional de Segurança Social (INSS).

“Era nos pagarem a partir do mês de junho mas chegamos hoje sem qualquer informação e a direcão diz agora que na próxima quarta-feira haverá uma nova negociação”, contou à Lusa João José Cussekala, 57 anos, que trabalhou na Maboque há 17 anos.

Segundo o antigo operador de abastecimento de comida aos aviões, a atual postura da direçãoda empresa traduz-se num “desrespeito e desafio” à justiça angolana, “porque o tribunal já decretou, em 2018, o pagamento das indemnizações, mas até hoje nada”.

“Queremos apenas o pagamento das nossas indemnizações e a integração dos colegas na segurança social aos com idade para a reforma”, afirmou, lamentando dificuldades diárias para sustentar a família.

Eva Faria, que há 22 anos trabalhou na Maboque na secção da cozinha fria, fez saber que após terem sido afastados “à margem da lei” recorreram ao tribunal, por falta de entendimento na Inspeção Geral do Trabalho (IGT), e este determinou indemnização em três prestações.

“O tribunal decidiu que a indemnização seria em três prestações, que seriam 12 milhões de kwanzas no dia 20 de agosto, o mesmo montante em setembro e outubro de 2019 que seria a última prestação, mas nada foi cumprido”, disse.

“E é por isso que aqui estamos para exigir os nossos direitos”, realçou apelando para a necessidade da inserção ao INSS de colegas que já atingiram a idade da reforma.

Já Lívio da Costa, 54 anos, há 18 anos na empresa, recordou que foram afastados sem aviso prévio: “apenas nos indicaram a lista e mandaram-nos para a casa. Recorremos a IGT não houve entendimento, mas o tribunal decidiu a nosso favor”.

A agência Lusa tentou contactar a direção da empresa, mas sem sucesso. A Maboque foi criada em junho de 1993.

FONTE/LUSA

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