Tentativa de aborto em sala de aula leva a morte de aluna

Joana Machado Bumba, 23 anos, perdeu a vida no interior de um colégio, localizado na rua 3 do bairro do Calawenda, ao tentar tirar a gravidez de um professor com quem mantinha um relacionamento amoroso desde o ano passado.


Luquenia Bumba, irmã da malograda, conta que Joana Machado Bumba foi até ao interior do colégio incentivada pelo professor que se fazia acompanhar de um enfermeiro no sentido de abortar. O enfermeiro, continuou, identificado por "Man Toni", injectou uma dose exagerada de medicamentos que acabou por resultar na morte da irmã, conforme o resultado da autópsia médica. 

"Man Toni" encontra-se detido no Comando Municipal do Cazenga da Polícia Nacional, onde foi ouvido pelo Ministério Público, e o professor está em fuga. Segundo a irmã da malograda, a interrupção da gravidez de quatro meses foi feito numa das salas de aula, sem as mínimas condições. Lukenia Bumba explicou que a irmã tinha saído de casa nas primeiras horas da manhã, mas dada a demora, os familiares resolveram ligar para o suposto namorado para saber do seu paradeiro.

Contactado por SMS, o professor, que trabalha na escola 3050, tranquilizou-os, pela mesma via, dizendo que estava tudo bem com Joana Bumba. Com o andar do tempo, os familiares resolveram ligar e ao aperceber-se de que se tratava da mãe da malograda, o suspeito desligou de imediato o telefone. Por volta das 19h00, a triste notícia bateu à porta da família de Joana Bumba, dando conta da sua morte no interior de um colégio localizado a escassos metros da sua casa.

Os familiares informaram que foi o próprio enfermeiro que resolveu reportar o caso à Polícia. Lukenia Bumba disse que se apercebeu de que a irmã estava grávida, com o professor, há menos de dez dias. O pai da malograda, Lourenço Bumba, 62 anos, acredita que a filha foi coagida pelo professor a praticar tal acto naquele local. A dor e o lamento tomou conta dos vizinhos, uma vez que Joana Bumba deixa uma criança de cinco anos. Joana Bumba era a terceira filha de sete irmãos.

Demissão da educação

O director do Gabinete Jurídico da Direcção Provincial da Educação de Luanda, José Filho, admitiu que caso se confirme o envolvimento do professor, este corre o risco de ser expulso dos quadros da Educação.

Comovido com a situação, José Filho anunciou a abertura de um processo de averiguação. José Filho disse que no ano passado foram instaurados dez processos de investigação em várias escolas de Luanda, por suposto envolvimento amoroso entre alunas e professores. Lembrou que destes, resultou na demissão de um dos docentes do município de Cacuaco, por ter engravidado uma aluna.

José Filho afirmou que, pela mesma prática, este ano há processos do género em investigação, sendo que um destes casos mais mediáticos, em que um professor resolveu a prova de uma aluna numa pensão. Informou que o assunto foi remetido à ministra da Educação para decisão final, que vai desde a simples repreensão à demissão. O responsável da Educação informou que a Direcção Provincial fez sair uma circular que proíbe o assédio sexual e casos amoroso entre professores e alunas.

FONTE/NJ

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