Mais de cem famílias ficam sem rendimentos

Um incêndio de médias proporções destruiu parcialmente, o mercado informal da Madeira, no distrito da Maianga, nas imediações da Vila do Gamek, em Luanda. Em consequência disso, mais de cem vendedoras perderam os seus haveres e seis desmaiaram no local.


As causas do incêndio, que iniciou à meia noite, são ainda desconhecidas. Até às 14 horas, altura em que o Jornal de Angola chegou ao local, havia ainda fogo activo em algumas zonas do mercado, apesar da intervenção do Serviço de Protecção Civil e Bombeiros, que se fez presente só a partir das 2h00. 
A secção de venda de ma-deira foi a área mais afectada pelo fogo, que destruiu quantidades incalculáveis de madeira - o principal produto do mercado - , materiais de construção e bancadas, sem deixar rastos.
Testemunhas no local disseram que as chamas surgiram de repente e nem os guardas de serviço no local têm explicação sobre o sucedido.
Fátima dos Santos, 40 anos, vendedora há nove anos, perdeu toda madeira, bem como outros materiais de construção. Diz que a mercadoria estava avaliada em mais de um milhão de kwanzas.
Viúva e mãe de seis filhos, vivia unicamente da venda no mercado.“Não é justo que a Administração do Mercado não tenha solução para este problema, pois sempre pagamos a Taxa de Permanência, avaliada em dez mil kwanzas/ mês, para salvaguardar essas situações. Agora como vou dar de comer os meus filhos? Quem vai repor o meu negócio?”, questionou, com lágrimas nos olhos.
Fátima dos Santos revelou que, normalmente, chega ao mercado às 7h00, mas ontem a rotina teve de ser diferente, porque foi avisada do incêndio às 5h00. “E não quis acreditar no sucedido”.
“Somos mais de 100 pessoas que sofremos em consequência do incêndio. O dono do mercado tem de se responsabilizar pelos danos. Por este motivo, mais seis colegas desmaiaram por não aguentarem a dor pelos prejuízos”, contou, triste.
Uriela Vunda, vendedora há oito anos, tinha armazenado pregos e madeiras, avaliados em mais de 300 mil kwanzas. “Estes danos vão causar muitos transtornos na minha vida. Sinto-me destruída. Peço que nos ajudem a superar isso, perdemos muitas coisas”, clamou.
Residente em Viana, com cinco filhos e a mãe que se encontra acamada, a vendedora apelou à Administração do Mercado para se pronunciar e apresentar alguma solução.
O porta-voz do Serviço Nacional de Protecção Civil e Bombeiros, Faustino Minguês, disse que uma equipa foi accionada por volta das duas horas da manhã, mas só conseguiu dominar o incêndio depois do reforço de 15 efectivos e três viaturas.
“Tomamos conhecimento às 2 horas, fizemos tudo para travar a propagação do incêndio. Até ao momento é difícil calcular os danos, porque notámos que as vendedoras não têm ideia do material que tinham guardado”, disse o porta-voz.
O mercado informal da Madeira existe há mais de 20 anos, alberga mais de 400 vendedores e comporta áreas para refeições, vendas de alimentos diversos, perecíveis, roupas, reparação de electrodomésticos, relógios e barbearias.

FONTE/JA

Categoria:Nacional