PR inicia visita a Cuba

Angola e Cuba vão assinar um memorando sobre a formação especializada de quadros no sector da Saúde. O documento vai ser rubricado em Havana, no âmbito da visitade dois dias do Presidente da República, João Lourenço, a Cuba.


O Chefe de Estado angolano desembarcou ontem, ao fim da tarde (noite em Angola), no Aeroporto Internacional José Marti, em Havana.
Segundo a ministra da Saúde, Sílvia Lutucuta, a assinatura do memorando resulta da intenção do Governo de dedicar maior atenção aos cuidados primários de saúde.
Sílvia Lutucuta disse que “Angola está a colher a experiência do médico de família e o Governo a trabalhar para ver se, ainda este ano, começa a formação em medicina familiar e saúde pública, a partir dos municípios”. A ministra reconheceu que Cuba é uma grande potência em termos de medicina e “a melhor em cuidados primários de saúde”, razão pela qual deve ser aproveitada a sua experiência.
“Os quadros que vamos formar neste domínio não virão para cá. Este processo será feito em Angola, a partir dos municípios. Ao mesmo tempo que se vão especializando, vão prestando assistência à população”, disse.
Sílvia Lutucuta lembrou que a Organização Mundial da Saúde (OMS) estabelece que 80 por cento dos problemas de saúde têm de ser resolvidos a nível dos cuidados primários. 
Mais de 600 angolanos estão a ser formados em Cuba em Ciências de Saúde, o que vai ajudar a reduzir o défice de quadros neste sector. Além disso, 50 médicos já formados em áreas como cardiologia, cirurgia cardíaca e cirurgia geral devem regressar em breve ao país.
Relativamente aos concursos públicos para avaliação dos quadros já formados, Sílvia Lutucuta precisou ser “uma prática comum em qualquer parte do mundo”, pelo que não vê razões para polémica. 
“É uma prática avaliar os profissionais antes de ingressar no sector público. Temos uma lei que deve ser respeitada. O concurso público não é para quadros vindos de um ou de outro país, é uma prática internacional, onde o concorrente deve testar os conhecimentos”, concluiu.

Cerca de 1.700 estudantes
recebem formação superior
Cerca de 1.700 angolanos fazem formação superior em Cuba, em diversas áreas, mais de 600 dos quais em Ciências de Saúde.
A ministra do Ensino Superior, Maria do Rosário Bragança, afirmou que a visita do Presidente João Lourenço a Cuba é uma oportunidade para os estudantes apresentarem, de viva voz, as suas preocupações. O encontro entre o Chefe de Estado e estudantes angolanos em Cuba está previsto para amanhã a meio da manhã. 
Segundo Maria do Rosário Bragança, em alguns cursos, os estudantes queixam-se de não ter tido actividade prática tanto quanto seria desejável, assunto já colocado ao Ministério do Ensino Superior de Cuba.
Relativamente ao pagamento de complemento de bolsa, Maria do Rosário Bragança disse não haver “atrasos significativos”. “No passado, havia muitos atrasos, o que demonstrava a incapacidade de o Governo honrar os compromissos de modo atempado. E esta foi a razão do cancelamento das bolsas”, referiu.
A ministra precisou que neste momento está a ser pago o mês de Junho e esclareceu que não será assinado qualquer acordo no domínio do Ensino Superior.

Dívida vai ser paga até Dezembro

A dívida de Angola a Cuba vai ser paga até Dezembro, revelou ontem, em Havana, uma fonte do Ministério das Finanças.
Segundo a fonte, Angola tinha uma dívida de 204 milhões de dólares, tendo sido pago até ao momento 60 por cento deste valor.
A maior parte da dívida está relacionada com serviços que especialistas cubanos prestam no domínio da saúde e formação de quadros.
O ministro das Relações Exteriores, Manuel Augusto, considera que a dívida com Cuba “já não é um assunto de discussão”.
“A dívida angolana não é um assunto litigioso. É algo que está a ser tratado de forma normal”, assegurou o ministro, que ressaltou “o carácter histórico” da visita do Presidente João Lourenço a Cuba, a primeira desde que assumiu o poder em Setembro de 2017.

“Não é apenas uma visita de Estado, é também uma visita especial e singular”, referiu, sublinhando que as relações entre os dois países sairão mais reforçadas e vão reflectir as mudanças que ocorrem nos dois países. O chefe da diplomacia angolana referiu que a cooperação bilateral pode atingir outros patamares, tendo destacado o avanço de Cuba em muitas áreas do saber e do conhecimento, particularmente nos domínios das ciências médicas e da indústria farmacêutica.

Angola, disse o ministro, pretende ter cadeias de produção de medicamentos essenciais e a cooperação com Cuba neste domínio pode ser fundamental. “Há um potencial a ser explorado e que vai transportar a nossa relação com Cuba para além daquilo que até ao momento tem sido tradicional”, referiu.
Anunciou que serão assinados alguns instrumentos jurídicos para conformar os já existentes, tendo destacado os sectores da Saúde, Educação e Ensino. Segundo o ministro das Relações Exteriores, Angola deseja também estabelecer cooperação nas áreas de investigação científica e da pequena e média indústria.

FONTE/JA

Categoria:Nacional