“Se não chover, vamos ter verdadeira catástrofe”, afirma o governador do Cunene

O governador do Cunene, Vigílio Tyova, afirmou, em entrevista exclusiva à ANGOP, que a província enfrentará “verdadeira catástrofe” humanitária, “nunca antes vista”, se o período de seca se prolongar até ao final do presente ano.


Segundo o governante, aquela região do sul do país regista a mais acentuada seca da sua história, desde Outubro de 2018, que já afectou um milhão e 100 mil bovinos.

Por causa desse fenómeno, informa, 26 mil e 267 animais morreram em oito meses.

De acordo com o governador, se o cenário de seca se prolongar, como indicam as projecções climáticas, “toda vida socio-económica da província estará ameaçada”.

Vigílio Tyova adverte que, com esse quadro, estará eminente uma crise de fome e de doenças do foro hídrico, além de haver empobrecimento extremo das populações.

Siga a íntegra da entrevista, que traz, em detalhe, o quadro actual da seca no Cunene e as medidas do Governo para contrapor os efeitos desse fenómeno natural:

ANGOP (ANG) – Senhor governador, Cunene é uma das quatro províncias do Sul de Angola que enfrentam seca. Esta localidade está sem chuva desde Outubro de 2018, sendo esta a mais grave da sua história. Qual é a dimensão do problema?

Vigílio Tyova (VT) – A seca é um fenómeno cíclico na província do Cunene. Podemos falar que os registos de seca começaram por volta de 1995, quando tivemos um nível acentuado e que, digamos, só foi ultrapassado este ano. Desde 1995, nunca tivemos um nível de seca como hoje. Mas já desde o tempo colonial que o problema no Cunene é conhecido. Isso tem a ver com a proximidade do Deserto do Namibe e do Deserto do Kalahar, na República da Namíbia, aqui a poucos quilómetros. Portanto, a influência deste microclima faz com que o Cunene tenha seca, por ausência de chuvas durante muito tempo, ou cheias quando resultam de grandes precipitações. Já não é surpresa para um político no Cunene, nem mesmo a nível do país, que a província tem este fenómeno cíclico de seca e, portanto, é uma situação que todos os anos ocorre, em alguns com um grau de intensidade, noutros anos menos. Mas este ano estamos perante um grau muito elevado e estamos preocupados com isso. Temos estado a trabalhar, no sentido de mitigar os efeitos da seca junto das comunidades.

FONTE/ANGOP-CORREIO DA KIANDA

Categoria:Nacional