Passar das acções de emergência para medidas de combate à seca

O Presidente João Lourenço defendeu ontem, na cidade de Ondjiva, Cunene, uma "solução definitiva" para o problema da seca que afecta o sul dos país.

“O Governo tomou algumas medidas de carácter de emergência para fazer face à situação da seca, mas precisamos de encontrar soluções definitivas, que não se resolvem, como e óbvio, num só dia", afirmou o Chefe de Estado à imprensa no aeroporto local, no final da visita de dois dias ao Cunene.
Os programas de Emergência e Estruturantes aprovados devem ser executados num período de cerca de três anos e meio, indicou o Chefe de Estado, para quem "até lá temos de ir atendendo as situações de emergência que vão surgindo nos próximos anos".
Para este ano, acrescentou, o Governo está preocupado com o que vai acontecer, sobretudo, nos próximos quatro a cinco meses até ao início das próximas chuvas.
O Chefe de Estado disse acreditar que até lá o quadro observado no Namibe e Cunene pode agravar-se, recomendando, por isso, o reforço do programa de emergência para evitar mais perdas de vidas humanas e do gado na região.
O Presidente João Lourenço lembrou que dentro de dias inicia a época seca, acrescentando que a situação será mais severa. “O clima vai oferecer situações mais adversas para as populações e o gado, o que significa que a resposta do Governo deve ser mais efectiva", afirmou. 
"Estamos perante uma situação crítica. A seca deste ano é bastante severa. As populações, como consequência da estiagem, estão a sofrer bastante", reconheceu o Chefe de Estado, salientando que o Governo não está indiferente à situação, razão da sua presença nas províncias do Namibe e Cunene e sinal de que o Executivo está atento ao que se passa em todo o Sul do país.

Poços em Oshiwanga

O Presidente da República visitou ontem a povoação de Oshiwanda, no município de Ombandja, cem quilometros de Ondjiva, onde constatou as "condições precárias" dos poços de água artesanais (de 20 a 30 metros de profundidade), a partir dos quais as populações locais retiram água para consumo e dar de beber aos animais.
Em Oshiwanda, a administradora municipal de Ombandja, Albertina José, explicou as dificuldades por que passam as populações para retirar água dos poços.
O Chefe de Estado, acompanhado da Primeira Dama, Ana Dias Lourenço, e de alguns membros do Executivo e do Governo local, manifestou-se comovido com a situação.
Antes de visitar a povoação de Oshiwanda, João Lourenço fez uma curta paragem em Ombala Yo Mungu, também localizada no município do Ombadja, onde fez a entrega de algumas toneladas de sal comum, sais minerais, feno e duas viaturas cisterna de água para mitigar os efeitos da seca na região.
Em Ombala yo Mungu, o Chefe de Estado recebeu explicações do ministro da Agricultura sobre o processo de transumância na região. Marcos Nhunga salientou que dada a escassez de água, o gado procura melhores pastos no município do Cuvelai, nas margens do Rio Cunene, e em determinadas zonas da vizinha província da Huíla.
Marcos Nhunga explicou que nesta fase emergencial, o departamento ministerial que dirige adquiriu 52 toneladas de feno, 100 de milho, e alguma quantidades de farelo de milho para alimentar o gado debilitado na província, onde as autoridades já contabilizam cerca de 20 mil cabeças mortas.
Ao Presidente da Repú-blica foi ainda informado que o feno adquirido de alguns fazendeiros de Samba Cajú (Cuanza-Norte), Huambo e Uíge, é transportado pela Casa de Segurança da Presidência da República e entregue ao Governo Provincial do Cune-ne, que faz a distribuição por conhecer melhor as áreas afectadas pela estiagem. 
O ministro da Agricultura e Florestas advertiu, a propósito, para a necessidade de criação de projetos estruturantes que permitam produzir mais feno, como tanques banheiros, mangas de vacinação, bebedouros e outras infra-estruturas que concorram para a obtenção de mais água.
"Não podemos apenas depender de projectos emergenciais. Devemos pensar sempre na solução dos problemas sem contar com a chuva", referiu Marcos Nhun-ga, salientando que o pelouro que dirige também trabalha na mobilização dos fazendeiros locais para a produ-ção de maior quantidade de feno, assim como de massango e milho.
O ministro informou que além do projecto em curso na província do Cunene para a construção de infra-estruturas de assistência ao gado bovino, também decorre o de formação sanitária e outro para a abertura de 15 furos de água em diferentes comunas mais afectadas pela seca, este último financiado pela União Europeia no valor de 700 milhões de euros. 
Marcos Nhunga defendeu, para a feitura e forragem do feno, o aproveitamento da Barragem de Culueque, no município de Ombandja, por possuir já algumas infra-estruras, incluindo uma grande fazenda.

Igrejas pedem acompanhamento das acções contra a seca

As autoridades religiosas da província do Cunene pediram sexta-feira, em Ondjiva, ao Presidente da República, João Lourenço, maior acompanhamento na implementação dos programas que visam combater os efeitos da seca que assola a região.
O bispo católico da Diocese de Ondjiva, D. Pio Hipunhati, disse, à saída da audiência, que aproveitou a ocasião para apresentar a situação dramática por que passa a população e o gado da província, provocada pela seca severa, acrescentando que espera, com esta visita, a execução prática dos programas.
“Temos garantia que o Executivo está seriamente empenhado e queremos fazer votos para que isto se concretize, e que não sejam defraudadas as expectativas das pessoas, pois já existiram muitos projectos nas últimas cinco décadas que nunca saíram dos discursos para a execução. Hoje já podemos acreditar que houve decisão política para sairmos do plano teórico para o plano prático, fazen-do crer que as coisas vão ca-
minhar”, sublinhou o bispo católico.
D. Pio Hipunhati realçou que o Presidente da República deu boas garantias e as igrejas devem serem os fiscais dessas obras. Referiu que além da seca, apresentou problemas vividos nos sectores da Educação e da Saúde.
Uma das maiores preocupações da Igreja, disse, tem a ver com as localidades situadas na fronteira com a Namíbia, a quem faltam serviços de Saúde e Educação, o que faz recorrerem ao país vizinho em busca de quase todo o tipo de serviços.
O bispo católico salientou que as populações da província vão precisar de ajuda alimentar e de água até à próxima época chuvosa, isto é num período não inferior a nove meses.
O bispo da Igreja Luterana, Tomás Ndawanapo, disse que abordou com o Presidente da República o mesmo problema da seca extrema e a fome que já afecta milhares de famílias no meio rural, uma vez que nenhum camponês cultivou a terra na presente época.
O líder da Igreja Luterana informou que pediu o re-forço das medidas já tomadas pelo Governo para acudir a situação da seca, sendo necessário disponibilizar água e comida e todos os meios para a assistência de emergência.
Pediu igualmente que se acelere a construção e reabilitação das sondas e a implementação do programa para a construção das barragens.
Tomás Ndawanapo disse que ouviu do Presidente o compromisso de continuar a fazer aquilo que já está proposto nas novas medidas para acudir as populações.

FONTE/JA



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