FNLA vai responsabilizar todos que falam em nome do partido sem legitimidade

A direcção da FNLA reconhecida pelo Tribunal Constitucional vai, doravante, responsabilizar civil e criminalmente todos aqueles que, sem legitimidade, falarem ou praticarem actos em nome do partido. 

O Tribunal Constitucional de Angola reconhece que a direção da FNLA, liderada por Lucas Ngonda, é a que tem legitimidade. "Serão tomadas medidas enérgicas contra todos aqueles que, não se revendo na liderança de Lucas Ngonda, praticam actos em nome do partido", advertiu o secretário-geral do partido, Pedro Dala, que confirmou a realização de um congresso extraordinário no próximo ano. 

Para o antigo combatente deste partido, Domingos Kongo, a FNLA deve "urgentemente" procurar formas de resolver o conflito interno que está debilitar o partido histórico. 

"Criou-se o Fórum de Reconciliação da FNLA integrado por vários militantes do partido e até aqui nunca tomou a decisão de resolver o conflito interno. O partido corre o risco de desaparecer", lembrou Dala. 

De acordo com o antigo combatente, todas as franjas da FNLA unidas podem, num pleito eleitoral, atingir entre oito a nove deputados. 

"Só os seguidores do irmão Ngola Kabangu podem garantir um bom número de deputados. Se os juntarmos aos de Lucas Ngonda, Fernando Gomes e Carlinhos Zassala, temos uma bancada parlamentar reforçada na Assembleia Nacional", afirmou. 

O presidente da FNLA, Lucas Ngonda, reconheceu recentemente que a actual situação de conflito interno que o partido enfrenta beneficia unicamente os seus opositores. 

"A situação do partido está pior do que nos anos passados. Em 1960, a FNLA enfrentava unicamente um inimigo, que era o colono português. Hoje, o partido enfrenta vários", acrescentou. 

O ex-líder da bancada parlamentar da FNLA, Ngola Kabangu, tem defendido que a FNLA não vai desaparecer, porque os militantes não vão permitir. 

Kabangu insiste em acusar Lucas Ngonda de se desviar dos princípios políticos e ideológicos por razões inconfessas. 

Critica o Tribunal Constitucional, "que nunca analisou com a devida profundidade a crise que se instalou no seio da FNLA, nem nunca se debruçou sobre ela com cuidado".

Conhecido como o "partido dos irmãos", a FNLA foi fundada em 1961 pelo histórico líder angolano Holden Roberto, mas há vários anos vive mergulhada numa crise interna, tendo garantido pouco mais de 1% dos votos nas eleições gerais de 2012, em que elegeu dois deputados à Assembleia Nacional. 

Lucas Ngonda foi confirmado presidente da FNLA em 2012, pelo Tribunal Constitucional, depois de divergências com a ala liderada por Ngola Kabangu. 

Em 2015, Lucas Ngonda foi eleito para um novo mandato, no quarto congresso ordinário da FNLA, que ficou marcado por confrontos entre militantes das duas alas, com um saldo de um morto e 14 feridos.

FONTE: TPA

Categoria:Nacional

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