Mulheres na Arábia Saudita autorizadas a conduzir pela primeira vez na história do país

A medida surge de um decreto real feito pelo rei da Arábia Saudita, Salman bin Abdulaziz Al Saud, que autoriza a emissão de cartas de condução às mulheres naquele país asiático, e vai ser efectivada em Junho do próximo ano.

A inibição de conduzir era uma das mais básicas limitações à liberdade das mulheres sauditas, e uma das mais criticadas pelas activistas.

No entanto, nunca existiu uma lei que impedisse as mulheres de conduzir, essa era a tradição antiga neste país, onde, em 2011, cerca de 40 mulheres iniciaram um protesto inédito, conduzindo carros por várias cidades, depois de Manal Sharif, a fundadora do movimento pela condução feminina e estrela das redes sociais, ter sido presa por publicar um vídeo a conduzir.

A decisão de mudar esta regra parece vir na sequência de uma certa tendência de abertura numa das regiões mais rígidas do mundo a respeito da lei islâmica.

Já na semana passada, as autoridades sauditas permitiram que às mulheres entrem para os estádios de futebol.

O ano passado, o jovem príncipe saudita Alwaleed bin Talal divulgou uma carta de quatro páginas no twitter onde fendeu que "é tempo das mulheres começarem a conduzir".

Embora cautelosos, os analistas dizem que é possível que algo esteja a mudar no país que mais restrições impõe às mulheres no mundo e onde ainda é a Sharia, a versão mais radical do Islão, que rege o dia a dia da sociedade.

De acordo com o decreto real, as mulheres sauditas terão direito a possuir carta de condução a partir de Junho do próximo ano.

Reacção da comunidade internacional

O secretário-geral da ONU, António Guterres, aplaudiu o "passo importante na direcção certa", enquanto o presidente dos EUA, Donald Trump, considerou a decisão "um passo positivo para a promoção dos direitos das mulheres", num país muitas vezes criticado na cena internacional.

Já a Amnistia Internacional, mesmo elogiando a medida, sublinha que esta chega muito tarde porque é contestada "há muitos anos".

"Esta é a realização da coragem dos militantes que fizeram campanha há anos", considerou a organização, acrescentando que foi "muito tarde".

Este levantamento da proibição de conduzir não significa que as mulheres vão poder passar a deixar de estar sob responsabilidade de um homem da sua família, seja o pai, marido ou irmão, a quem compete autorizar de podem viajar ou estudar, entre outras situações vulgares na maior parte do resto do mundo.

FONTE: NOVO JORNAL
Categoria:Internacional

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