Barril ao preço mais elevado em dois anos

O barril de petróleo já passou os 59 dólares no Brent londrino, que serve de referência para as exportações angolanas, estando agora a menos de um dólar da fasquia que o ministro dos Petróleos, Botelho de Vasconcelos, apontou como sendo um preço bastante razoável para a economia de Angola.
 
 
Por detrás desta subida que pode ser considerada vertiginosa nas últimas 24 horas - uma espécie de boas-vindas à chegada de João Lourenço à Presidência da República, tendo em conta que o crude é, de longe, o principal motor da economia angolana - estão factores como o aumento considerável da procura, a descida nos stocks nos EUA e, com mais ênfase ainda, as crises no Iraque, devido ao referendo independentista no Curdistão, e a grave crise na Península Coreana.
 
Desde Julho de 2015 que o barril de Brent não estava tão caro, o que pode igualmente ser considerado como o atestado do sucesso da estratégia da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP) que, em conjunto com mais 11 países, definiu em Novembro de 2016 um plano de cortes na produção global de 1,8 milhões de barris por dia de forma a impulsionar os preços ao secar as reservas das grandes economias.
 
O que acabou por acontecer, principalmente nos EUA, onde as agências e organismos internacionais do sector têm apontado baixas a um ritmo superior a cinco milhões de barris por semana, ao mesmo tempo que a procura da matéria-prima tem estado a subir coerentemente nos últimos meses.
 
Desde Fevereiro de 2016, onde o barril de Brent ficou abaixo de 30 USD, que Angola e a maioria dos países exportadores, como é disso exemplo o maior produtor do mundo, a Arábia Saudita, vivem um grande aperto nas suas economias, levando a que, num gesto sem precedentes em muitas décadas, o "cartel" se tenha juntado à Rússia, ao México, ao Cazaquistão e a outros produtores para combaterem não só o pessimismo mas também uma evolução negativa dos mercados face ao crude.
 
Isto, numa época histórica em que se multiplicam as notícias de incentivo ao não uso de combustíveis fósseis, como, por exemplo, países e marcas de automóveis a definirem calendários para a desistência da sua utilização, devido às evidentes consequências nefastas das alterações climáticas.
 
Mas, apesar dos sinais evidentes de melhoria nas expectativas da OPEP e "aliados", foi um episódio que não estava considerado nas contas dos membros do "cartel" nem dos analistas a dar o impulso que todos queriam ver acontecer: A Turquia ameaçou bloquear o "pipeline" que leva o petróleo em bruto do Curdistão iraquiano a um porto turco por forma a conter os impulsos independentistas desta região do Iraque, que se prolonga pelo Curdistão sírio e turco, por Ancara temer que o mesmo suceda no seu território.
 
A importância do petróleo produzido nestas vastas regiões, com fronteira com o Irão, um dos maiores produtores mundiais, levou um certo pânico aos mercados que, como sempre, reagiram em alta, adivinhando esforços suplementares das maiores economias globais para aumentarem os seus stocks.
 
Ora, se, como parece ser o que está a acontecer, a comunidade internacional se virar contra o referendo, até porque o Presidente norte-americano, Donald Trump, já veio dizer que defende um Iraque unido, colocando-se contra as tentações independentistas do Curdistão, e decretar sanções ao nível do bloqueio às exportações de petróleo, isso significará que mais de4 500 mil barris deixarão de chegar aos mercados todos os dias.
 
O que na verdade, e para as contas dos objectivos da OPEP, e, nomeadamente de Angola, significa é que, aos 1,8 milhões de barris por dia cortados no âmbito do acordo de 2016, juntam-se agora mais meio milhão de barris... o que pressiona ainda mais os mercados em alta.
 
Como o Novo Jornal Online perspectivava, face aos bons sinais oriundos dos mercados, nomeadamente face ao quase certo prolongamento dos cortes definidos pela OPE e "aliados", as economias exportadoras atravessam um período de acalmia e respirar fundo como há muito não sucedia.
 
Basta lembrar que, em declarações recentes, o ministro angolano dos Petróleos, Botelho de Vasconcelos, disse que o barril na casa dos 60 dólares norte-americanos não seria nada mau para a economia angolana.

FONTE : NJ
Categoria:Internacional

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